liber. Manuais

Notas de remessa

Notas fiscais que nunca geram cobrança — consignação, bonificação, material de feira — emitidas e baixadas automaticamente, sem jamais aparecerem como dívida de ninguém.

Visão geral

No Brasil, todo livro que sai do armazém precisa de nota fiscal — mesmo quando não há venda nenhuma. O lote consignado que vai para a livraria, os exemplares bonificados para divulgação, as caixas que viajam para uma feira: cada movimento desses exige uma nota, e nenhum deles é uma cobrança.

É para isso que existe a nota de remessa, o documento REM/. Ela é uma fatura de verdade — mesmo formulário, mesmos itens, mesmo valor — com duas diferenças:

  • vive em um diário próprio (código REM), com numeração própria e contínua: REM/00001, REM/00002…;
  • ao ser confirmada, o valor a receber é baixado automaticamente contra uma conta-espelho configurada na posição fiscal — a nota nasce quitada, porque nunca houve dívida.

Com isso, o menu Faturas fica só com as vendas de verdade (as que esperam pagamento e conciliação bancária), e as remessas ganham a sua própria lista, onde bonificação, consignação e eventos convivem separáveis pela origem.

Nota

Normalmente você não cria uma remessa à mão. Elas nascem dos documentos que coordenam cada operação — a campanha de bonificação, o pedido de consignação — e chegam aqui prontas. Este módulo é a casa fiscal delas: o diário, a numeração, a baixa automática e a lista para consulta.

Lista de remessas com número REM, data, destinatário, origem da remessa, documento de origem e total
A lista de Remessas: cada linha diz de onde a nota veio (bonificação, consignação) e para quem foi.

Configuração

A posição fiscal com baixa automática

O que faz uma nota se quitar sozinha é a sua posição fiscal. Para cada tipo de remessa que a editora pratica (remessa em consignação, bonificação, feira…):

  1. Abra FaturamentoConfiguraçãoPosições fiscais e crie (ou abra) a posição fiscal da operação.
  2. Marque Baixa automática (Auto Invoice Paid).
  3. Em Conta da baixa automática, escolha a conta-espelho que recebe a contrapartida — por exemplo, uma conta "(-) Remessa de mercadoria".
  4. Salve.

Os nomes dos campos são os mesmos usados na configuração do sistema de produção antigo, de propósito: as posições fiscais já existentes lá (devoluções, feiras, remessas, bonificação) migram uma a uma, sem tradução.

O diário REM

Não há nada a criar: o diário de remessas (nome Remessas, código REM) é criado automaticamente na primeira vez que algum documento precisa dele, uma vez por empresa. É a marca "diário de remessa" nele — e não o código — que faz as notas dele sumirem de Faturas e aparecerem em Remessas.

Dica

A numeração fiscal não fura. A baixa automática é lançada em um diário de operações diversas, nunca no REM — uma sequência fiscal com buracos (REM/00001, 00003…) pareceria ter notas faltando, e aqui cada número é de uma nota de verdade.

O que acontece ao confirmar uma remessa

Quando uma nota do diário REM é confirmada:

  1. A nota é lançada normalmente, com o próximo número REM/ da sequência.
  2. No mesmo instante, o sistema cria um lançamento de baixa: o valor a receber é liquidado contra a Conta da baixa automática da posição fiscal e as duas pontas são conciliadas.
  3. A nota fica com saldo zero — quitada — e exibe a faixa azul Simples remessa em vez da faixa "Pago". Uma remessa nunca será "paga", porque nada jamais foi devido; a tela diz o que a nota é.
  4. O botão Baixa automática, no topo do formulário, abre o lançamento de baixa correspondente: nota e baixa se enxergam mutuamente, como duas metades de um mesmo fato fiscal.
Formulário de uma nota de remessa confirmada, com a faixa Simples remessa e o botão que abre a baixa automática
Nota confirmada: faixa "Simples remessa", saldo zero e o atalho para o lançamento de baixa.
Exemplo

Uma campanha de divulgação envia 2 exemplares de R$ 25 para uma livraria. A nota REM/00007 é emitida por R$ 50, confirmada e imediatamente baixada contra a conta-espelho da bonificação. A livraria nunca aparece em nenhuma lista de cobrança, e o custo da campanha fica visível na conta-espelho.

Consultar as remessas

  1. Abra FaturamentoClientesRemessas.
  2. A lista mostra número, data, destinatário, Origem da remessa (bonificação, consignação, outra), o Documento que a gerou e o total.
  3. Use os agrupamentos Origem e Destinatário do filtro para responder "quanto saiu em bonificação este mês?" ou "o que já mandamos para esta livraria?".

Cada módulo que gera remessas registra ali a sua origem — a bonificação marca as dela, a consignação as dela — então uma lista só serve a todas as operações sem misturá-las.

Regras e guardas

RegraO que ela garante
Diário de remessa exige posição fiscal com baixa automáticaConfirmar uma nota no diário REM sem a posição fiscal configurada é recusado com uma mensagem clara. Sem essa trava, uma nota meio-configurada seria lançada em silêncio e, semanas depois, uma livraria seria cobrada por livros que nunca comprou.
A baixa não consome números REM/O lançamento de quitação é contabilidade interna, não documento fiscal: ele é numerado no diário de diversos e a sequência REM/ permanece contínua.
Nota e baixa não se separamNão é possível excluir uma nota cuja baixa continua lançada — seria deixar meia operação pendurada no razão. Estorne ou reabra a baixa primeiro.
Faturas só com vendasA lista de Faturas de cliente exclui os diários de remessa; a lista de Remessas mostra só eles. Nenhum documento aparece nos dois lugares.
Vendas comuns não são tocadasA baixa automática só age em notas do diário de remessa. Uma fatura normal continua em aberto até ser paga, como sempre.

Perguntas frequentes

Por que o extrato contábil mostra a remessa como quitada? Porque o valor a receber foi de fato baixado — essa é a mecânica que impede a cobrança. A faixa "Simples remessa" na tela existe justamente para que ninguém leia essa quitação como um pagamento: não houve dinheiro, houve uma contrapartida na conta-espelho, auditável pelo botão Baixa automática.

Posso criar uma remessa manualmente? Pode, para os casos que nenhum módulo cobre (um envio avulso de material, por exemplo): crie a nota pela lista de Remessas, no diário Remessas, com uma posição fiscal que tenha a baixa automática configurada. Ao confirmar, ela se comporta como qualquer outra. Mas o caminho normal é deixar que o documento da operação (campanha, pedido de consignação) a gere.

Confirmei e recebi um erro sobre a posição fiscal. É a guarda em ação: a nota está no diário de remessa, mas a posição fiscal escolhida não tem Baixa automática (Auto Invoice Paid) marcada (ou está sem a conta de contrapartida). Configure a posição fiscal — ou, se a nota é uma venda de verdade, mova-a para um diário de vendas comum.

E se a remessa foi emitida por engano? Estorne ou redefina a baixa (pelo botão Baixa automática) e depois cancele a nota. A ordem importa: a trava de exclusão impede que a nota desapareça deixando a baixa órfã.

Veja também

  • Remessas e retornos — a logística da consignação, que gera notas de remessa ao despachar para as livrarias.
  • Importação de XML de NF-e — o caminho inverso: as notas de terceiros (e as nossas) entrando no sistema pelo XML.