liber.

O primeiro software de gestão totalmente open source para editoras brasileiras.

O Liber entende do que uma editora vive: consignação, direitos autorais, nota fiscal e catálogo. Construído sobre o Odoo — o maior ERP de código aberto do mundo — e feito aqui, para as regras daqui.

Feito para o livro

Consignação, acertos e direitos autorais são cidadãos de primeira classe — não adaptações improvisadas.

Fiscalmente correto

Cada operação gera o documento fiscal certo: remessa, retorno, venda no acerto. A contabilidade fecha sozinha.

Sem recomeçar do zero

O Liber importa os XMLs das suas notas e reconstrói seu histórico. Você começa a vida nova analisando a empresa que já tem.

Sem aprisionamento

Código aberto, dados seus, integrações plugáveis. Se um parceiro sai, o seu razão fica intacto.

Estante colorida de livraria
Feito por quem entende que livro não é uma mercadoria qualquer.

Consignação e estoque

A consignação como ela é — prateleira por prateleira

O mercado do livro no Brasil gira em consignação, e nenhum ERP genérico modela isso direito. No Liber, cada livraria tem um contrato e uma prateleira: um estoque seu, fisicamente no cliente, que só vira venda no acerto.

  • Mapa de consignação — o que está em cada cliente, título a título, com valor contábil separado do estoque próprio.
  • Acerto — da contagem do cliente à venda e à baixa de estoque em um clique.
  • Puxadas — cobrança automática de devoluções em atraso, com escalada por prazo (lembrete → ligação → alerta ao gerente).
  • Saúde do título — cada linha marcada Ok, Atenção, Crítico ou Sem retorno pelo tempo desde o último acerto.
  • Auditoria pelo XML — o saldo esperado de cada prateleira é reconstruído a partir das próprias notas fiscais e confrontado com o mapa.
Mapa de consignação com a saúde de cada título
Mapa de consignação: cada título em cada cliente, com indicador de saúde.

Direitos autorais

Do contrato à prestação de contas, sem planilha

Contratos de direito autoral com faixas de tiragem, adiantamentos e múltiplos beneficiários — autores, tradutores, ilustradores — ligados direto ao catálogo e à contabilidade.

  • Contratos com faixas — percentuais por faixa de exemplares, adiantamentos compensáveis, renovação com prazo sugerido.
  • Pagamento integrado — direitos em aberto viram fatura de fornecedor por autor, obra a obra, com conta analítica por título.
  • IRRF automático — retenção pela tabela progressiva, incluindo o redutor da Lei 15.270/2025, recolhida em guia própria.
  • Prestação de contas — extrato do autor em PDF, pronto para enviar por e-mail.
Prestação de contas de direitos autorais em PDF
Prestação de contas do autor em PDF: vendas, adiantamentos, IRRF e valor a receber.

Catálogo e metadados

Metabooks integrado BookInfo em breve

Digite um ISBN — ou importe o catálogo inteiro da editora — e o Liber traz da Metabooks título, autores, sinopse, preço, dados técnicos e capa, direto para o cadastro de produto.

  • Importação por ISBN ou por catálogo completo, com fila de importação e assistentes.
  • Padrão ONIX — tabelas de código do mercado do livro já embutidas.
  • BookInfo na sequência do roteiro, pela mesma arquitetura.
Importação de metadados da Metabooks por ISBN
Ficha do livro preenchida a partir da Metabooks: capa, sinopse e dados técnicos.

Compatível com seus XMLs

Você não perde nada do que já fez

Todo o passado fiscal da sua editora está nos XMLs das notas — e o Liber sabe lê-los. Importe o histórico e comece a vida no sistema novo analisando a empresa que você já tem: quem compra, o que gira, o que está parado em consignação.

  • Importação em massa do seu arquivo de XMLs, de qualquer sistema anterior.
  • Reconstrução da consignação — o mapa de prateleiras pode nascer do próprio histórico de notas (CFOPs de consignação), sem digitar saldo.
  • Migração assistida — bancada própria para trazer cadastros e movimentos do sistema antigo, com simulação antes de migrar.
Análise do histórico importado de XMLs
Histórico importado: a empresa inteira reconstruída a partir das notas.

Canais de venda

Amazon Vendor: o pedido dela entra conferido

No Vendor Central a Amazon compra — ela não é marketplace, é atacadista. O que a API dela chama de pedido de compra é, do seu lado, uma venda. O Liber lê esses pedidos, confere título por título contra o seu cadastro e monta a cotação quando alguém manda.

  • Só lê da Amazon — nada de confirmação, aviso de embarque ou etiqueta saindo sozinho às quatro da manhã. Compromisso de entrega é decisão de gente, e a trava está no código, não numa promessa.
  • Casamento por ISBN — cada linha procura o código de barras do produto. O que não casa não trava o pedido: fica visível, contado e registrado, antes de virar documento.
  • Uma unidade, um CNPJ — cada centro de distribuição (GRU8 e companhia) é mapeado ao cliente certo. Unidade não mapeada não vira cotação, para a nota não sair contra a filial errada.
  • Cotação em rascunho — e ela é sua: se a Amazon mudar o pedido depois, o Liber marca a divergência em vermelho em vez de reescrever o que você já fez.
  • Agenda e análise por título — o que vence quando, e o que não foi atendido com a causa ao lado: faltou cadastro ou faltou cotar.

Ler o manual da Amazon Vendor.

Pedidos da Amazon importados, com exemplares pedidos e atendidos
Os pedidos da Amazon dentro do Odoo: o que veio, o que casou com o cadastro e o que virou cotação.

Produção

Impressão sob demanda e dropship

O pedido do cliente vira tiragem na gráfica e, quando você quiser, caixa despachada direto para a casa dele. Sem estoque parado, sem capital preso em livro que ainda não vendeu.

  • Preço por tiragem já no sistema — 1, 15, 40, 100 exemplares viram faixas na lista do fornecedor, atualizadas sozinhas. Digitou a quantidade, o preço aparece.
  • Alerta de margem — a faixa em que imprimir custa mais do que o livro vale para você fica vermelha na tela.
  • Frete cotado na hora, com as transportadoras da gráfica, e os dois cenários — direto ao cliente ou ao seu depósito — lado a lado antes de decidir.
  • Da produção à entrega — o status da gráfica, o código de rastreio e o aviso ao cliente chegam sozinhos ao pedido.
Lista de preços por tiragem da gráfica, com linhas em vermelho acima do custo
A escada de preços por tiragem: em vermelho, onde imprimir deixa de compensar.
Interior de livraria com poltronas
Da prateleira da livraria ao balanço — sem planilhas no caminho.

E tudo o que o Odoo já oferece

O Liber é construído sobre o Odoo Community, usado por milhões de empresas no mundo. Além dos módulos editoriais, você ganha um ERP completo — no mesmo sistema, com os mesmos dados.

Vendas e CRM

Funil de oportunidades, cotações, pedidos e tabela de preços por cliente.

Compras

Cotações a fornecedores, reposição automática e recebimento conferido.

Estoque

Múltiplos depósitos, rastreabilidade e inventários — integrado à consignação.

Contabilidade

Faturas, conciliação bancária, contas analíticas e relatórios fiscais.

Orçamento

Orçado × realizado por área e projeto, sobre a contabilidade analítica.

Site e e-commerce

Loja própria vendendo direto do estoque real, sem replicar catálogo.

Ponto de venda

PDV para livraria própria, feiras e eventos, sincronizado com o estoque.

Marketing por e-mail

Campanhas e listas segmentadas a partir da sua própria base.

Projetos e tarefas

Produção editorial organizada em etapas, prazos e responsáveis.

Acesso por papéis

Comercial, financeiro, editorial e marketing — cada um vê o que precisa.

Interface responsiva

Funciona no computador, no tablet e no celular.

API aberta

Integre o que quiser: o dado é seu e a porta está aberta.

E mais

Peças menores que resolvem dores reais do dia a dia editorial — já em uso, com manual.

Arquivos no Dropbox

O acervo continua no Dropbox; o Odoo vira o porteiro: leitura e escrita decididas pasta a pasta, compartilhamento com prazo de validade, e cada arquivo ligado a autores, títulos e tags. Ler o manual.

Arquivos no Google Drive

O mesmo porteiro na frente do Drive, para a equipe das planilhas: pastas por ID, download conferido byte a byte e miniaturas até de PDF. Cada empresa com a sua conta. Ler o manual.

Arquivos no GitHub

Para a produção que versiona originais: repositório vira pasta, cada envio vira commit com autor e história — e o link compartilhado só abre para quem é do repositório. Ler o manual.

No roteiro

O Liber está em desenvolvimento ativo e aberto. Estas são as próximas frentes:

BookInfo em breve

Metadados, pedidos e monitoramento de preço pela plataforma da BookInfo.

Amazon: responder pela API em breve

Hoje o Liber só lê os pedidos da Amazon. Confirmação, aviso de embarque e invoice por EDI — os passos que assumem compromisso de entrega — seguem no portal.

Pilhas de livros em um sebo
Todo acervo tem história. A sua fica com você.

Quem somos

Somos editores — o Liber é a nossa ferramenta de trabalho

Não somos uma empresa de software. Somos gente que fecha livro, negocia com livraria, briga com gráfica e espera acerto. O Liber é o sistema que roda as nossas próprias editoras todo dia, e que resolvemos abrir.

Ele nasceu de bateções de cabeça, arapucas digitais em que caímos antes de aprender a desviar, e saídas interessantes que foram surgindo na luta diária dentro da editora Hedra — no meio do expediente, com o problema em cima da mesa e os boletos chegando.

A Hedra usa o Odoo Community desde a versão 10, em 2016. De lá para cá foram quase dez anos rodando a editora inteira dentro do sistema, e escrevendo, ano após ano, novos processos: primeiro a consignação, depois os direitos autorais, o catálogo, a nota fiscal.

Em 2018 fundamos o EdLab Press, um laboratório para abrigar um conjunto de pequenas editoras com operações muitas vezes bem diferentes entre si. Foi ali que o nosso Odoo deixou de servir a uma casa só e passou a ter de servir a várias — a Hedra, a finada livraria Casa Plana e a vários outros pequenos editores.

Mas por que abrir nosso código? A questão é o contrário: por que guardar somente conosco? E somando certa paranoia, ou receio de que a inteligência artificial vá deixar o nosso mercado ainda mais atrasado, resolvemos liberar tudo. Editora pequena não perde por dividir ferramenta — não somos uma corporação. E quanto mais gente usando esse código, mais afinados ficaremos.

Quem está por trás do código? Jorge Sallum, editor da Hedra, responde pelo desenho e pela codificação com a incrível ajuda das inteligências artificiais. O caminho até aqui foi feito mais de conversas do que de código. Contamos, principalmente, com o apoio e as inúmeras trocas com os experientes Alexandre Fonseca e Sergio Eduardo, da Perspectiva; Rogério de Campos, da Veneta, e suas ideias prá lá de revolucionárias; e Tiago Quirino, da Capela, agência de marketing digital para editoras, recém-criada.

Agradecimento especial a Elio Viniski, da Edoo.me, parceiro incansável e fiel, há mais de uma década, nessa história com o Odoo. E a Anselmo Bortolin, da MetaBrasil, o maior entusiasta das soluções de tecnologia para o mercado editorial que conhecemos.

Livre como um livro deveria ser

O Liber é software de código aberto de ponta a ponta: sem licença por usuário, sem aluguel do seu próprio dado, sem fornecedor indispensável. Você pode auditar, hospedar, adaptar — ou contratar quem faça por você. O conhecimento fica com o mercado editorial, não trancado num contrato.

Ambiente de demonstração aberto — entre com demo / liber. A conta percorre os módulos do Liber — consignação, direitos autorais, catálogo — e não grava nada; os dados são de teste e podem ser reiniciados a qualquer momento.

Dúvidas frequentes

As perguntas que chegam

De quem está avaliando o Liber para a própria editora. Se a sua não estiver aqui, pergunte no fórum: a resposta fica pública, pesquisável, e serve para quem chegar depois.

Instalar e experimentar

Como instalo o Liber?

O Liber é um conjunto de módulos para o Odoo 19 Community. São três passos: ter um Odoo no ar, colocar os módulos no caminho de addons, instalar os que você quiser.

1. Instale o Odoo 19 Community — pacote oficial, imagem Docker ou código-fonte, pela documentação de instalação da Odoo. Nada aqui é específico do Liber: é o Odoo padrão, com PostgreSQL ao lado.

2. Traga os módulos:

git clone https://github.com/capela-liber/liber-erp.git

3. Aponte o Odoo para a pasta e instale o que interessa:

odoo-bin --addons-path=/caminho/do/odoo/addons,/caminho/do/liber-erp \
         -d suabase -i liber_soc_settlement,liber_copyright_contracts

Os módulos declaram as dependências entre si — instalar o acerto de consignação puxa o acordo e as movimentações junto. Daí em diante tudo acontece pela tela, em Aplicativos, e cada módulo traz o próprio manual no Module Info.

Preciso saber programar?

Não para usar; para instalar, precisa de alguém que saiba administrar um servidor. Pôr um Odoo no ar é instalar um pacote, criar um banco PostgreSQL e subir um serviço — trabalho de administração de sistemas, não de desenvolvimento. Se ninguém na editora faz isso hoje, é exatamente aí que vale contratar alguém.

Depois de no ar, o uso diário é de tela: quem opera nunca vê uma linha de comando.

Dá para experimentar antes de instalar?

Dá. O ambiente de demonstração é aberto: entre com demo / liber e percorra os módulos do Liber — consignação, direitos autorais, catálogo. Não grava nada: os dados são de teste e podem ser reiniciados a qualquer momento.

Onde o Liber roda? Preciso de servidor próprio?

Onde você quiser — a pergunta é a mesma que “onde roda o Odoo”, e as respostas comuns são três: uma máquina na própria editora, um servidor alugado na nuvem (o caminho mais frequente), ou um provedor que hospeda para você. O Odoo é modesto: uma editora com poucos usuários simultâneos roda folgada numa máquina pequena.

O que não é opcional é o backup, e ele tem duas metades: o banco PostgreSQL e o filestore. Anexos, capas e XMLs de nota ficam em disco, fora do banco — um dump que leva só o banco parece completo até o dia em que você precisa do XML.

Posso instalar só uma parte — só direitos autorais, por exemplo?

Pode, e é o recomendado. As famílias são independentes:

Quero resolverInstalo
Royalties, contratos, prestação de contasliber_copyright_contracts e os complementos de pagamento, IRRF e relatórios
Consignação, acerto, puxadasliber_soc_agreements, liber_soc_moves, liber_soc_settlement
Notas fiscais: importar da SEFAZ, emitirliber_nfe_xml, liber_nfe_focus
Catálogo e metadados por ISBNliber_metabooks_integration
Pedidos da Amazon (Vendor Central)liber_amazon_vendor
Arquivos no Dropbox, Drive ou GitHubliber_dropbox, liber_gdrive, liber_github

Uma editora que só quer parar de calcular royalties em planilha instala a família de direitos autorais e ignora o resto. As duas peças que atravessam famílias são a consignação fiscal e a auditoria por XML — elas conferem o mapa contra as notas, e por isso puxam o módulo fiscal junto.

Como atualizo quando sai versão nova?

Um git pull no clone e um -u nos módulos alterados:

odoo-bin --addons-path=... -d suabase -u liber_soc_settlement --stop-after-init

Duas cautelas que valem sempre: teste a atualização numa cópia do banco antes de fazer no que está em produção, e reinicie o serviço depois — o Odoo mantém em memória as telas que já carregou, e sem reiniciar você continua vendo a versão antiga achando que a atualização não funcionou.

Ajuda, parceiros e suporte

Posso contar com alguém para implantar?

Pode — e não precisa ser com a gente. Software aberto não quer dizer “se vire sozinho”: quer dizer que você escolhe com quem trabalha, e pode trocar.

A Edoo.me. É a nossa recomendação de parceiro: conhece o Liber por dentro, e é com quem temos trabalhado. Se você quer o caminho mais curto entre a decisão e o sistema no ar, comece por aí.

Os parceiros oficiais da Odoo no Brasil. São dezenas de empresas espalhadas pelo país, listadas no diretório de parceiros da Odoo. Qualquer uma delas sabe instalar, hospedar e manter um Odoo — que é a maior parte do serviço. Os módulos do Liber são addons como quaisquer outros: quem trabalha com Odoo consegue instalá-los e dar manutenção, mesmo sem nunca ter ouvido falar do Liber.

A própria Odoo. A Odoo S.A. também vende implantação, em pacotes de horas com consultor, junto com a assinatura Enterprise.

Na hora de escolher, três perguntas dizem mais que qualquer proposta: quem fica com a senha do servidor, quem tem o backup, e o que acontece se a relação terminar. No Liber a resposta da última é sempre a mesma — o código é aberto, o banco é seu, e o próximo prestador pega o sistema de onde o anterior parou. Não existe fornecedor com a chave na mão.

Vocês da EdLab dão suporte?

Não. Não há versão paga, plano de suporte nem roteiro comercial — o que oferecemos é o código, os manuais e o fórum. Suporte com hora marcada e responsável de plantão é serviço de parceiro, e é justo que seja pago.

Agora, se o que você procura é maior que suporte — uma operação de marketing integrada ao ERP, com campanhas e módulos feitos para vender online — indicamos a Capela.press.

Onde tiro dúvidas de graça?

No fórum, para pergunta de instalação, configuração ou de como um módulo funciona. Se for erro no programa ou pedido de recurso, abra um chamado — assim cada coisa vai para o lugar certo e nenhuma se perde no meio da outra.

Para dúvidas do Odoo em si, que não são do Liber, a comunidade é grande: o fórum oficial da Odoo e a OCA, associação que mantém milhares de módulos abertos, inclusive boa parte da localização fiscal brasileira.

E se a EdLab parar de desenvolver o Liber?

O código já está publicado, e a licença AGPL não se revoga. Quem estiver usando continua usando, e qualquer pessoa ou empresa pode pegar de onde paramos, corrigir, seguir.

É a diferença prática entre depender de um software aberto e depender de um fornecedor: no primeiro caso o pior cenário é ter de contratar outro desenvolvedor; no segundo, é o sistema parar de existir junto com o contrato.

Odoo Community e Enterprise

O que é o Odoo, e o que é o Liber dentro dele?

O Odoo é um ERP de código aberto usado por milhões de empresas no mundo: vendas, compras, estoque, contabilidade, CRM, projetos, site. Ele resolve o que toda empresa tem, e não sabe nada sobre livro.

O Liber é a camada que falta: consignação, direitos autorais, catálogo por ISBN, documentos fiscais do mercado editorial. Instalado sobre o Odoo, dentro do mesmo sistema e dos mesmos dados — não é outro programa conversando com o primeiro.

Qual a diferença entre Odoo Community e Odoo Enterprise?

São duas edições do mesmo produto, com o mesmo núcleo.

Community é a edição aberta, sob licença LGPL-3. Gratuita, sem limite de usuários, com o código à vista. Traz vendas e CRM, compras, estoque com múltiplos depósitos, faturamento e contabilidade analítica, projetos, site e e-commerce, ponto de venda, marketing por e-mail e a API completa.

Enterprise é a edição proprietária, cobrada por usuário e por mês. Inclui tudo do Community e acrescenta, entre outros: relatórios contábeis prontos (balanço, DRE), conciliação bancária com sincronização automática, controle de ativos e diferimentos, o Studio (personalizar telas sem programar), assinatura eletrônica, central de atendimento, planejamento de equipes e aplicativos móveis nativos — mais o suporte oficial da Odoo, a migração de versão assistida e a hospedagem gerenciada no Odoo.sh.

Preciso do Enterprise para começar?

Achamos que não — e a razão é concreta, não uma preferência ideológica.

Nenhum módulo do Liber depende do Enterprise. As dependências declaradas nos nossos módulos são todas de aplicativos do Community: sale, stock, account, purchase, analytic, project, website, mail. Não há uma única linha apontando para um aplicativo proprietário, e isso é verificável: está nos arquivos __manifest__.py, no repositório aberto, para quem quiser conferir.

O que uma editora faz o dia inteiro cabe no Community mais o Liber. Vender, comprar, movimentar estoque, faturar, mandar consignado e acertar, calcular royalties e prestar contas ao autor, importar e emitir nota, cuidar do catálogo. Nenhuma dessas coisas espera do outro lado de uma assinatura.

Onde o Enterprise pesaria mais, nós abrimos. O acompanhamento de orçamento (orçado × realizado) é aplicativo Enterprise; escrevemos o liber_budget, aberto, sobre a contabilidade analítica do Community. É o padrão que preferimos: quando falta alguma coisa, resolver no aberto em vez de mandar você assinar.

Licença por usuário muda o comportamento da equipe. Quando cada conta custa por mês, a editora dá acesso a poucas pessoas — e as outras voltam para a planilha mandada por e-mail, que é exatamente o problema que o ERP veio resolver. Sem licença por usuário, todo mundo entra no sistema no primeiro dia: o editorial, o comercial, a produção, o financeiro. É aí que um ERP começa a valer.

Começar no Community não fecha nenhuma porta. Se um dia o Enterprise fizer falta, é a mesma base de dados: assina, ativa e segue de onde estava.

E o que falta de verdade, para ser honesto: os relatórios contábeis prontos e a conciliação bancária automática são Enterprise. Para boa parte das editoras isso é assunto do contador, que trabalha no sistema dele com os dados que você exporta. Se você quiser dentro do Odoo, a OCA publica alternativas abertas para os dois casos.

Afinal, todos os nossos módulos são de código aberto. O Liber não é isca para uma licença paga adiante: não existe “versão completa” que a gente esteja guardando.

Se eu começar no Community, posso mudar para o Enterprise depois?

Pode. O Enterprise instala por cima do Community, na mesma base de dados, e os módulos do Liber continuam funcionando — dependem só de aplicativos que existem nas duas edições.

O caminho contrário é que dá trabalho: sair do Enterprise para o Community deixa órfãos os dados criados pelos aplicativos proprietários. Começar aberto é a decisão que se desfaz mais fácil.

Custo e licença

Quanto custa o Liber?

Nada. Sem licença, sem mensalidade, sem limite de usuários, sem cobrança por módulo. Os módulos são publicados sob AGPL-3 e o código inteiro está no GitHub.

Então o que eu pago?

Quatro coisas, nenhuma para nós:

  • Hospedagem — o servidor onde o sistema roda, seu ou alugado.
  • Implantação, migração e suporte, se você contratar um parceiro. É trabalho de gente, e é o custo real de um ERP em qualquer cenário.
  • Serviços de terceiros que você escolher ligar — certificado digital A1 (para falar com a SEFAZ), Focus NFe (emissão), Metabooks/MVB (metadados de catálogo). Cada um tem preço próprio, cobrado pelo fornecedor, e nenhum é obrigatório: o módulo correspondente simplesmente não se instala.
  • Odoo Enterprise, se um dia você quiser.
Posso usar comercialmente, modificar, revender?

Sim, sim e sim. A AGPL-3 garante o uso na sua editora sem pagar licença, o direito de ler e mudar cada linha, e o de distribuir cópias — inclusive cobrando por serviço, suporte, implantação e hospedagem.

A obrigação nasce quando você entrega o Liber a terceiros, distribuindo ou servindo pela rede: aí o código, modificado ou não, vai junto, sob a mesma licença. Uso interno na sua editora não obriga a publicar nada para o mundo. O detalhamento está na seção da licença.

Dados, migração e fiscal

Vou perder meu histórico ao trocar de sistema?

Não. Todo o passado fiscal da editora está nos XMLs das suas notas, e o Liber sabe lê-los: importe o arquivo de XMLs de qualquer sistema anterior e o histórico se reconstrói — quem compra, o que gira, o que está parado.

O mapa de consignação pode nascer das próprias notas, pelos CFOPs de remessa e retorno, sem ninguém digitar saldo. Para cadastros e movimentos que não estão em XML, há uma bancada de migração com simulação antes de gravar.

O Liber emite NF-e?

Emite, hoje pela Focus NFe: o módulo liber_nfe_focus conversa com a API deles, e a Focus faz o caminho até a SEFAZ. Emissão nativa, direto à SEFAZ e sem intermediário, está no roteiro. O manual da emissão conta o passo a passo.

A importação já é nativa e não depende de ninguém: com o certificado A1 da empresa, o Liber varre diariamente a Distribuição DF-e e traz as notas emitidas contra o seu CNPJ para um painel único, deduplicadas pela chave de acesso.

Preciso de certificado digital?

Para baixar notas da SEFAZ e para emitir, sim — certificado A1, o de arquivo. Sem ele, o resto do Liber funciona igual: consignação, royalties, catálogo, estoque. Você só continua trazendo os XMLs à mão em vez de recebê-los sozinhos.

Onde ficam meus dados? Quem tem acesso?

No servidor que é seu ou que você contratou. Não há serviço nosso no meio do caminho: o Liber é código que roda na sua máquina, não um sistema que a gente hospeda.

As únicas conexões que saem são as integrações que você mesmo ligar — SEFAZ, Focus, Metabooks, Dropbox, Drive, GitHub — cada uma com credencial sua, configurada por você, e desligável.

Alcance e limites

Serve para uma editora pequena?

Serve — nasceu numa. Não há mínimo de usuários, de faturamento ou de catálogo. O custo de entrada do Liber é técnico (alguém para pôr no ar e configurar), não financeiro, o que inverte a conta usual: costuma valer mais para quem não tinha orçamento de ERP do que para quem já tinha.

Serve para distribuidora, livraria ou gráfica?

Em parte, e vale ser exato. A consignação do Liber é modelada do lado de quem envia — a editora ou o distribuidor que põe livro na prateleira do cliente. A livraria que recebe consignado veria a imagem espelhada disso, que não está implementada.

Para a livraria própria da editora, o ponto de venda do Odoo já serve, integrado ao mesmo estoque. Impressão sob demanda e dropship são tratados do lado de quem compra a impressão, não da gráfica.

Funciona no celular?

A interface é responsiva e funciona no navegador do computador, do tablet e do celular. Os aplicativos móveis nativos da Odoo são da edição Enterprise.

Tenho mais de um selo. Dá para trabalhar com várias empresas?

Dá. O Odoo é multi-empresa de nascença, e o Liber respeita isso: as credenciais fiscais são guardadas por empresa, não por instalação. Vários selos numa base só, com contabilidade separada, é caso previsto.

Em que estado está o projeto?

Em desenvolvimento ativo contra o Odoo 19. Alguns módulos rodam em produção numa editora; outros são ensaio. Vários trazem um NOTES.md na própria pasta, com as ressalvas honestas do que ainda não está pronto — quando existir, leia antes de confiar no módulo.

Como todo software livre, o Liber é fornecido como está, sem garantia: teste no seu cenário antes de fechar o mês com ele.

Posso contribuir?

Pode, e é bem-vindo: correção de erro, módulo novo, tradução, um trecho de manual que faltava, ou só relatar o que não funcionou na sua editora.

O relato de uso é a contribuição mais escassa e a mais útil — é o que diz se o que serve para uma editora serve para as outras.

Não achou a sua?

Pergunta de instalação, de configuração ou de como um módulo funciona vai para o fórum: a resposta fica pública, pesquisável, e serve para quem chegar depois. Se for erro no programa ou pedido de recurso, abra um chamado — assim cada coisa vai para o lugar certo.

A licença, em português claro

Os módulos do Liber são publicados sob a AGPL-3.0 — a licença copyleft da Free Software Foundation. Copyleft quer dizer que a liberdade viaja junto com o código: quem recebe o Liber recebe também o direito de estudá-lo, mudá-lo e repassá-lo, e não pode tirar esse direito de quem vier depois.

Você pode

  • Usar na sua editora, para o que quiser, sem pagar licença e sem limite de usuários.
  • Hospedar onde bem entender — servidor próprio, nuvem sua, ou empresa que você contratar.
  • Ler e auditar cada linha: como o royalty é calculado, como o acerto baixa estoque, o que vai na nota.
  • Modificar o que precisar, sozinho ou com qualquer desenvolvedor — não existe fornecedor obrigatório.
  • Distribuir cópias e versões modificadas, inclusive cobrando por isso: serviço, suporte, implantação e hospedagem são seus para vender.
  • Combinar com outros sistemas pela API, sem que isso contamine o software do outro lado.

Você não pode

  • Fechar o código. Se distribuir o Liber, modificado ou não, tem de entregar junto o código-fonte, sob esta mesma licença.
  • Oferecer como serviço sem abrir o que mudou. É a marca da AGPL: quem usa o seu Liber pela rede tem direito de receber o código que está rodando ali.
  • Relicenciar como proprietário, nem revender como se fosse software fechado seu.
  • Apagar a autoria — avisos de copyright e de licença ficam onde estão.
  • Usar o nome e o logotipo “Liber” num produto derivado como se fosse o original. A marca é outra coisa, e não vem na licença.
  • Cobrar garantia de quem escreveu. O software é fornecido como está, sem garantia — a contrapartida de não custar nada.

Uso interno não obriga a publicar nada: se você adaptou o Liber e ele roda só dentro da sua editora, o código modificado precisa estar disponível às pessoas que o usam, não ao mundo. A obrigação de abrir nasce quando você entrega o sistema a terceiros — distribuindo ou servindo pela rede. Os módulos do Liber são AGPL-3.0; o Odoo Community sobre o qual eles rodam é LGPL-3.0. Este resumo é uma orientação de leitura, não um parecer jurídico: o que vale é o texto integral da AGPL-3.0, publicado junto com o código no GitHub.